12 de agosto de 2016

Estar apaixonado é uma das melhores sensações que existem, não podemos negar isso. Mas ao mesmo tempo relacionamentos podem ser exatamente como uma montanha-russa, cheios de altos e baixos, cabendo às partes envolvidas se dedicar o suficiente para que tudo dê certo, já na certeza de que aquilo chegará a um fim, seja ele bom ou ruim.
Uma paixão não é sinônimo de felicidade. Algumas pessoas se ancoram numa paixão e lá encontram um porto seguro, uma alma gêmea. Agora a maioria se prende no ardor de um sentimento efêmero e correspondido para buscar algo que lhes faltava. Mas longe disso está a felicidade. Quando uma paixão passa e é substituída por rancor e não por amor, podem se causar sérios danos se uma vida já foi contornada em torno daquela paixão
Na nossa lista de filmes para este final de semana, eu trago para você filmes que não mostram apenas o lado bom do amor, mas também a responsabilidade e a dor que vem de bagagem com ele, espero que gostem:






Essa é a minha vida


Baseado no premiado livro de Meg Rosoff, "Minha Nova Vida" conta com a direção de Kevin Macdonald (O Último Rei da Escócia, 2006). O filme nos mostra, através de cenas marcantes, a jornada e as transformações de uma jovem enquanto seu país vive um caótico início de Guerra. Forte e cruel, o longa surpreende por sua coragem e por encontrar poesia e beleza onde não há.

O filme inicia quando a protagonista Daisy (interpretada por Saoirse Ronan) - com seu visual rebelde - chega à Inglaterra, onde fica hospedada na casa de seus primos distantes, pessoas com quem não tem nenhum tipo de contato, os pequenos Isaac (Tom Holland) e Piper (Harley Bird) e o mais velho de todos, Edmond (George MacKay) que logo lhe desperta o interesse. O país vive num momento tenso e cheio de incertezas, controlados por militares, os cidadãos vivem aterrorizados por uma iminente Terceira Guerra Mundial. Distantes de todo esse sofrimento, numa casa de campo, os jovens tentam manter sua segurança e liberdade naquele pequeno pedaço de terra, entretanto, logo são obrigados à partirem, separando os membros da família e dando uma única certeza para Daisy, escapar da Guerra e reencontrar aqueles que aprendeu a amar.

O escocês Kevin Macdonald é um diretor extremamente talentoso e o olhar que ele trouxe sobre esta trama a tornou melhor do que provavelmente teria sido. Há algo de muito curioso e instigante em "How I Live Now", méritos do bom roteiro também, que vai deixando inúmeras lacunas em seu desenvolvimento, principalmente sobre a Guerra que ocorre além dos muros onde vivem os personagens centrais. A preocupação maior do filme está em mostrar como aqueles jovens viveram naquele período caótico, resumindo explicações sobre os conflitos na Inglaterra à rápidas aparições em televisores ou rádio, deixando sempre um suspense sobre o que exatamente acontecia ou como havia começado. Em nenhum momento tais informações fazem falta, os obstáculos e as transformações ocorrem em seus personagens, é sobre essas crianças que vivem neste mundo incerto, como se o que acontecesse do lado de fora não importasse, com tanto que sobrevivessem, com tanto que permanecessem ao lado daqueles que amam. Há um constante choque entre a inocência dos protagonistas com o cenário sujo em que são submetidos a caminhar, vivendo o fardo dos erros que não cometeram, da humanidade que aparentemente desconheciam. E este embate entre a felicidade quase que fantasiosa com à realidade crua e chocante é o que torna o longa tão impactante, tão doloroso, e ao mesmo tempo, tão único.

O filme é praticamente dividido em duas parte, e visualmente são completamente distintas. Até certo ponto, acompanhamos Daisy se adaptando a um lugar que desconhece, convivendo com seus primos e vivendo um breve romance com Eddie. O segundo momento ocorre quando todos eles são obrigados a sair da casa em que moram e passam a encarar a Guerra de frente. O diretor acerta e muito nesta divisão e suas escolhas visuais provam isso. Seu começo é belo e poético, há cenas realmente incríveis e inspiradoras, mas que logo se transformam, tudo se torna obscuro, realista, chocante, onde Macdonald acaba por revelar uma coragem assustadora para o gênero, nos surpreendendo com sequências fortes e inesperadas. Por trás dessas qualidades, o longa se torna mais arrastado na segunda parte, os instantes em que Daisy está a procura de sua família chega a ser um pouco entediante, ainda que tudo volte ao eixo em seu ótimo e comovente final. Outro erro que acaba incomodando é o fato de que não fica muito claro essa relação da protagonista com os demais, é tudo muito rápido e pouco convence sobre o afeto que sente, item que teria dado mais força à todo o resto da trama.



"Mas e se conseguirmos passar por isso e houver vida do outro lado?
Se houver...quero estar aqui, com você. É assim que quero viver."

Saoirse Ronan é, com certeza, uma das atrizes mais brilhantes de sua geração, que continua surpreendendo a cada nova interpretação que apresenta. Surge aqui com uma personagem difícil, que tem pouco tempo e espaço para suas breves transformações, que são drásticas, da jovem alienada e ríspida, se torna naquela que protege, que se preocupa, que ama. E ela deixa essa evolução evidente, e demonstra uma força, coragem e versatilidade muito rara. O elenco de apoio não decepciona e revelam uma deliciosa harmonia, causando uma empatia fácil no público, como os jovens talentosos Harley Bird e Tom Holland. O casal apaixonado também funciona, graças a boa química entre Ronan e o ótimo George MacKay.

"Minha Nova Vida" merece uma chance, tem lá seus erros, no entanto, vale a conferida, pela história que acaba surpreendendo, pelos atores e pela belíssima direção de Kevin Macdonald, que transforma cada pequeno gesto num grande espetáculo. A fotografia também se destaca, principalmente por diferenciar cada momento do filme, conseguindo dialogar seu visual com aquilo que os personagens vivem em cada fase, exteriorizando seus sentimentos e a maneira como encaram cada instante. A trilha musical encaixada na trama é das boas, enaltecendo este espírito jovem e revigorante que o longa tem, da empolgação eletrizante de Amanda Palmer às mais calmas de Nick Drake e Daughter. Gostei desta dualidade que o filme cria, deste constante embate entre inocência e crueldade, beleza e caos, deste mundo controlado por homens sob o ponto de vista dos menores. destes que burlam as regras, que procuram um escape, que almejam a liberdade, que lutam por viver no mundo em que eles mesmos criaram. Recomendo.

Fonte: http://cinemaateca.blogspot.com.br/2014/12/critica-minha-nova-vida-how-i-live-now.html


Lendas da paixão


Antes de qualquer coisa tenho que advertir: é bem dificil assistir esse filme sem se apaixonar pela beleza de um Brad Pitt numa atuação que lembra muito a de Louis em entrevista com o vampiro.

Uma paixão não é sinônimo de felicidade. Algumas pessoas se ancoram numa paixão e lá encontram um porto seguro, uma alma gêmea. Agora a maioria se prende no ardor de um sentimento efêmero e correspondido para buscar algo que lhes faltava. Mas longe disso está a felicidade. Quando uma paixão passa e é substituída por rancor e não por amor, podem se causar sérios danos se uma vida já foi contornada em torno daquela paixão. Tudo começa a ser movido por uma vergonha, desonra, medo de uma sociedade, e tudo por não ter conseguido distinguir o verdadeiro de algo passageiro, bastante eloquente e traiçoeiro. Lendas da Paixão é o modo de se deixar levar por essa paixão desmedida, sem pensamentos em consequências, sem pudor do parceiro, sem valores morais, sem vergonha de uma sociedade para viver o calor do momento de uma alma que pode não transparecer sua verdadeira faceta nos primeiros momentos.
O Coronel William Ludlow (Anthony Hopkins) vive com seus três pequenos filhos num rancho afastado da cidade. O filho mais velho, Alfred Ludlow (Aidan Quinn) é sério, reservado, cortês, educado e não leva o pai a sério em suas crendices. O filho caçula, Samuel Ludlow (Henry Thomas) é o mais inseguro dos três pelo fato de ser o menor e tem de ser seguido por seus dois irmãos mais velhos. O filho do meio, Tristan Ludlow (Brad Pitt) é um aventureiro selvagem, o que o faz o filho preferido do pai por ser o mais ligado a suas crenças e por ter se relacionado desde cedo com os índios, que criaram essa parcela indômita de sua personalidade. Ambos mantém uma relação muito ligada através de seus laços de família, que foram valorizados durante todo o tempo. O tempo passa e Samuel fica noivo de uma bela mulher da cidade, Susannah Fincannon (Julia Ormond), que leva para passar um tempo no rancho e conhecer a família. O problema é que essa mulher traz um novo sentimento à vida dos irmãos, que pode resultar na quebra de laços de sangue.
O que move o filme é o desejo pela estranha mulher da cidade, toda refinada, com uma perspectiva diferente da vivida pelo campo. Ao se depararem com a situação inusitada e com a beleza de Julia Ormond, todos os irmãos se encantam, e não é para menos. A cobiça de todos os irmãos aflora exatamente nesse momento, e é uma cobiça que não para. Qual o limite de um desejo? Por mais que a mulher ame Samuel, o desejo irrefreável pelo selvagem Tristan, um homem misterioso com uma vida inesperada e distinta para a dama da civilização, não acaba. As vezes, o amor verdadeiro pode dar lugar a um desejo rápido, a diferença é a quantidade de felicidade que isso pode lhe fornecer ou pode lhe dar uma ilusão para fornecer. Ao desejar o amor do próximo, não há mais culpa, não há mais vergonha. A traição é uma barreira fácil de ser quebrada se a vontade não é consumada rápido, enquanto o desejo ferve nas entranhas. É algo perigoso que pode transformar relações de uma vida inteira numa rixa cruel num piscar de olhos.
Tristan é simplesmente o mais enigmático dos três, assim como o mais bem trabalhado. Sua atmosfera selvagem faz com que ele seja indomável em sua personalidade. Por mais que um desejo seja mútuo, ele não nasceu para ser um homem domesticado de uma donzela, ele nasceu para ser um homem selvagem da natureza. Essa característica selvagem que dá força ao personagem de um Brad Pitt que apresenta um desempenho ótimo em certas horas, mas em outras chegava a me fazer querer desistir do filme. É um personagem imprevisível. Vemos a força da ligação que Tristan tem com sua família a partir do filme. Como sempre foi criado com sua visão selvagem de um campo e não de algo cortês da cidade, ele começa a repugnar o que vem dela logo cedo. Sua mãe ausente é uma figura desinteressante na vida desse coração valente, por ter desistido do mundo que Tristan tanto preza. A namorada de seu irmão é uma mulher interessante, mas o melhor de tudo ainda é preservar os laços familiares do que se render por uma traição para com a família. E quando ele começa a se ver com um futuro reservado, numa cidade, ele foge para não encarar uma realidade da qual nunca quis: se ver preso, nem que esteja preso num relacionamento.
Susannah, interpretada com força por uma Julia Ormond excepcional, é o ponto de contradição do filme. Novamente, como num dos primeiros capítulos do livro mais vendido do mundo, a mulher que trouxe o caos para a terra em sua forma traiçoeira e sedutora. Mas dessa vez não é a forma feminina que acarreta as desgraças para uma família, é a origem disso. A cidade corrompeu o campo com sua visão distinta. Para Susannah, Tristan é o que mais lhe é cobiçado, seu extremo oposto, seu desafio interior. Não há uma graça para ela no homem que Alfred é, um homem na verdade tão parecido com ela que até renega o nome para poder viver um amor e ser feliz com ele. Mas a felicidade é mútua? O desejo de Susannah deixa sequelas. Por mais que Tristan esteja longe, sua consolação é esperar por ele num campo, o mais próximo dele que se pode ter. Mas esse desejo estava mais consumindo sua felicidade e lhe afogando com mágoas mais do que a divertindo e lhe rendendo prazer por dentro. Como esperar algo que não vai chegar? Alfred então lhe propõe ser feliz, mas ela consegue ser feliz sem amar, sem conviver com um desejo já consumado que só cresce a cada dia que passa pela falta de sua realização diária?



A família se mostra cada vez mais importante nesse impasse passional que se revela na trama. Samuel é como um elo entre os dois irmãos. Por mais que seja o menor, tanto Tristan quanto Albert se juntam no único interesse em comum que têm: o instinto de proteção para com o caçula da família. A morte dessa conexão familiar traz a morte na família. Albert finalmente se revela um político, o que o pai despreza com todas as forças desde seus tempos de guerra. Apenas Tristan insiste em manter um amor pela família, nem que isso significa abandonar o prazer. A relação conturbada entre os personagens de Aidan Quinn e de Anthony Hopkins, ambos com uma atuação eficaz e surpreendente, rende bons momentos no filme. De resto, ele fica com o roteiro que segura seu ritmo ao colocar uma rivalidade entre campo e cidade, entre amor e paixão, entre família e prazer, entre relacionamentos e instintos. Ainda há a fotografia de John Toll, que rendeu um Oscar merecido para o filme, uma trilha sonora embalante e presente, e ainda a direção de Edward Zwick.
"Algumas pessoas ouvem suas próprias vozes interiores e vivem de acordo com o que ouvem... essas pessoas se tornam loucas ou lendas". Ou talvez até os dois. A frase começa o filme com chave de ouro e já serve como uma previsão do que está por vir. Do início até o fim somos surpreendidos com personagens de psicológico forte, com convicções, ambições e sonhos. E no meio da vida de todos, surge um desejo inesperado para desequilibrar a mente dos protagonistas. O querer só fica mais forte quando ele se torna o poder por alguns instantes.

Fonte: http://criticamecanica.blogspot.com.br/2011/02/lendas-da-paixao-1994.html




Bem Vindo ao Mundo


Tem filmes que tentam abraçar o mundo em suas histórias e acabam perdendo a chance de envolver o espectador. O italiano Bem-vindo ao Mundo (2012) de Sergio Castellito é um desses. Mesmo com a história dos personagens se misturando com a História de Sarajevo, o diretor tenta dar conta de vários elementos e termina com um resultado confuso em suas nobres aspirações. Estrelado por Penélope Cruz e Emile Hirsch, os dois vivem um casal de estrangeiros que se conhece e se apaixona em meio aos conflitos da Bósnia entre as décadas de 1980 e 1990.  No filme conhecemos primeiro Gemma (Cruz) madura, casada, numa vida confortável na Itália ao lado do filho e do esposo. Não demora muito para que conheçamos o seu passado, onde se envolve com o fotógrafo Diego (Hirsch) e, apesar de todo o amor e companheirismo que sentiam um pelo outro, a dificuldade e de Gemma gerar um filho começa a criar problemas para o casal. Gemma sofre bastante com sua possível esterilidade, mas Diego é sempre compreensivo e a apóia em todos os planos da namorada para resolver a frustração. Os conflitos em Sarajevo servem como pano de fundo para a história do casal e ainda para o relacionamento delicado de Gemma com o filho (Pietro Castellito, filho do diretor) no tempo presente, já que ele é convidado a visitar Sarajevo com a mãe e conhecer o trabalho de seu pai que encontra-se em exposição. Fica evidente que todo o passado sofrido de sua terra natal não interessa ao rapaz, existe sempre um desconforto, um mal estar por parte dele como se uma verdade lamentável estivesse para emergir a qualquer instante. Até esse ponto o filme funciona bem, o problema é quando a verdade sobre o filho de Gemma se aproxima e o roteiro se enrola em surpresas que cansam o expectador até o final que pretende ser surpreendente. Porém, o espectador já está cansado perante a guinada que sofre o relacionamento de Diego e Gemma, o que compromete todo o cuidado com que o filme apresentou seus personagens na primeira metade. Penélope Cruz se esforça, mas o filme deixa sua personagem parecendo mais uma mulher desequilibrada do que mãe zelosa,  ainda assim, a atriz espanhola devora seu parceiro de cena em vários momentos.


 É um tanto frustrante perceber que depois de tanto tempo Emile Hirsch (na época com 28 anos) continua sendo o mesmo ator promissor de sempre, um talento que custa a amadurecer. Talvez por isso, Diego sempre pareça um adolescente, sempre mais novo e sempre agitado demais para conter as necessidades emocionais e afetivas de Gemma. Essa pode ser até a intenção do roteiro, mas incomoda bastante uma certa falta de sintonia entre os dois personagens. Emile parece jovem demais para o papel. Porém, o maior problema do filme é a falta de sutileza como é mostrada a concepção do filho de Gemma, uma história triste, mas que aparece desvalorizada pelos elementos melodramáticos que Catellito utiliza em cena. Talvez no livro de Margareth Mazantini (esposa do diretor) as coisas fossem mais emocionantes, mas, da forma como foi filmado, o ápice da narrativa perde parte de sua força dramática pela mão pesada do diretor. Vale ressaltar que a viagem ao passado da protagonista é de uma qualidade técnica com cara de Oscar. A edição, a fotografia e a trilha sonora são impecáveis, faltou mesmo um pouco de bom senso para contar a parte em que o filme se torna mais complexo e, por isso mesmo, perigoso para um diretor cheio de boas intenções e pretensões.

Bem-vindo ao Mundo (Venuto al mondo/Itália-2012) de Sergio Castellito coim Penélope Cruz, Emile Hirsch, Pietro Castellito, Sergio Castellito e Mira Furlan.

Fonte: http://diariwcinefilo.blogspot.com.br/2014/02/dvd-bem-vindo-ao-mundo.html


Closer Perto Demais


Um filme por demais interessante. A começar pelo título: "Closer", que quer dizer "mais perto", "mais íntimo", denunciando a proximidade com que presenciaremos os jogos de amor dos quatro e únicos personagens, além de demonstrar a pequena distância que há entre eles.

Somos apresentados a Dan (Jude Law) e Alice (Natalie Portman), que se conhecem na rua, após um acidente de carro. Corta. O filme pula para a sessão de fotos de Dan, para seu livro, inspirado em Alice, sua namorada. Dan é fotografado por Anna (Julia Roberts). Os dois se beijam. Mas ela resiste ao charme de Dan, afinal, ele é comprometido. Alice vem ao apartamento de Anna e diz que ouviu tudo. Alice chora e diz para Anna fotografar o choro. Corta. Outro pulo: agora Larry (Clive Owen) conversa com Dan via Internet. Dan mente e se faz de Anna, combinando um encontro. Larry vai ao local combinado e encontra Anna. Pulo novamente: Larry e Anna namorando, Dan e Alice visitam a exposição de Anna (uma das fotos é a de Alice chorando). E assim a história vai. Eu poderia contar todo o enredo do filme aqui, mas não se preocupe, contei pouco, só o essencial.

O roteiro de Patrick Marber privilegia o teatral, com falas rápidas, proeminentes, carregadas de sentido. É claro, temos que considerar que o filme deriva da peça homônima do mesmo Patrick Marber, mas a transposição da peça para o cinema ficou ritmada e extremamente ágil. Interessante observar também a visão de Mike Nichols (diretor do clássico "Quem Tem Medo de Virginia Woolf?, com Elizabeth Taylor e Richard Burton) para as personagens: um obituarista (Dan), uma stripper (Alice), um dermatologista (Larry) e uma fotógrafa (Anna), tratados sem superficialidade, sem estereótipo.



Gostoso em "Closer" é ver todas as reviravoltas da trama e ainda presenciar a sinceridade explícita com que as personagens se tratam. Chega a ser surreal, pois ninguém em uma relação consegue ser tão sincero. A sinceridade mina namoros, infelizmente é mais sadio a ambos que nunca sejam tão sinceros como desejariam ser, pois a verdade dói. Mas aqui neste filme, não. O filme não é realista, nesse sentido, pois se fosse jamais as personagens seriam capazes de falar sinceramente e de discernir quando o amor acaba. Como nós todos, aliás. "Closer" revela a interioridade do relacionamento e suas contradições de forma afiada, centrando no jogo que entremeia o amor, retratado como jogo de interesses, ou seja, você tem algo que me interessa e eu gosto disso e você vê algo em mim que me interessa e você gosta disso, o que não deixa de ser uma verdade crua e meio indigesta ao público habituado com comédias românticas da mesma Julia Roberts.

Ainda sim, a extrema sinceridade das personagens não resulta em sabermos exatamente quem elas são e o que sentem. É preciso olhar com atenção, mais de perto, para sentirmos mesmo se o que dizem é para punir, se vingar, provocar ou simplesmente dizer o que vem à cabeça. Complicado. A certa altura do filme, a stripper Alice se exibe para Larry (aliás, Natalie é um colírio para os olhos) e ele lhe pergunta o nome real dela, pois ela lhe tratou por Jane Jones. Ela repete sempre: "Jane Jones". Ele se irrita e diz que é Alice e ela toma o controle da situação sem precisar dizer muito. Engraçado, pois ninguém percebe nesse momento que a sinceridade também pode tomar aspectos diferentes daqueles que achamos. Clamamos a sinceridade como um antídoto, mas ela é só parte do jogo, como a mentira ou a omissão. A platéia vai chegar a essa conclusão no final.


O filme foi acusado de ser pornográfico e entediante. Mas, na verdade, o filme não é pornográfico. É como Dercy Gonçalves, que corrigiu um erro histórico em relação a ela mesma: é pornofônico. E os puritanos que pensem melhor a respeito disso. Como se essas palavras mudassem todo a discussão do filme. Entendiante? Não. É rápido, não é prolixo e o elenco segura bem. Clive Owen e Natalie Portman estão maravilhosos (e foram indicados ao Oscar, como ator e atriz coadjuvantes) e Jude Law e Julia Roberts se saem bem em uma ou duas cenas.

Na verdade mesmo, não é um filme para qualquer público. Arrisco dizer que é para muito poucos. Não é difícil encontrar gente dizendo que odiou, pois é seco, não desce redondo, regurgita nosso instinto e o confronta com nossas vidas. Mostrar cruamente verdades do ser humano e suas relações provoca irritação na platéia. Ela quer "moral da história", quer "romance", quer "mocinho e bandido" e "muita emoção", pois sabe que o que está ali é real, acontece mesmo na realidade de cá e de tragédia já bastam suas próprias vidas.


6 anos

Eu adorei como a história se desenvolveu. Foi tão sutil, tão singelo e tão devastador. Eu, no começo, achei que o problema era com a Mel, por ela ser extremamente carente e explodir por qualquer coisa. Já que eu em relacionamentos sou muito de boa, mas no decorrer da trama, percebi que não era culpa de nenhum dos dois e sim da vida e suas responsabilidades. As obrigações chegam, a vida adulta também, e é inevitável renegá-las. Não tem como fugir, a maneira que você lida com elas é que conta, mas às vezes não é o suficiente. Vemos isso em 6 years, vemos o amor dos dois, mas também conseguimos observar e enxergar o quão a vida pode ser dura e extremamente - realista -, ''Vida realista óbvio anne, dur''. É isso mesmo, quando deixamos nossos sonhos utópicos de lado e enxergamos as coisas como elas são, a vida nos puxa para a realidade e nos aprisiona. 



O interessante dessa história, é que você se apega aos personagens e fica com dó deles. Com dó do fim desse relacionamento, dessa história. As amigas da Mel perguntando se o sexo não era entendiante, se eles não pensavam em ficar com outras pessoas e eu via aquilo até como um insulto. Não é porque estamos com alguém há tanto tempo, que necessariamente perdemos o interesse. Ben sentiu vontade de ficar com outra pessoa, ele tinha uma escolha a se fazer, viu possibilidades e o desejo de sentir coisas novas, conhecer pessoas novas e se sentir diferente, Já Mel, uma garota muito presa ao namorado, projetava sua vida ao lado dele e apenas com ele. Mas isso, de sentir vontade de conhecer pessoas novas, não necessariamente acontece com todos os casais. Foi um caso particular. É óbvio que haveria um conflito de interesses entre personalidades e vontades distintas. 

O filme 6 years tem um roteiro simples, porém cativante. Mostra realmente como são os relacionamentos e todas suas faces. Mostra essa transição da fase adolescente para a adulta, das novas descobertas e das infinitas possibilidades que o mundo pode nos dar. Se você procura um filme que tenha esse clima de realidade e te faça refletir, assista. Vá sem pretensão, se permita assistir ao filme e obtenha uma reflexão para sua própria vida. Vale a pena.

fonte: https://regandoplantinhas.com.br/2015/09/28/resenha-critica-filmes-6-years/

E vocês, já assistiram algum desses filmes? Quer me indicar algum? só usar o espaço destinado aos comentários ^^

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Um comentário:

Em buscas de respostas? Eu também. Mas para que possamos descobrir elas juntos deixe seu comentario e até mesmo a sugestão de um tema a ser discutido aqui em nosso blog.

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::Akasha Lincourt::

Akasha Lincourt... Taurina, Bipolar, 27 anos, sem enquadramento social, mas com ótimas lentes 50mm distorcidas ao invés de olhos. Apaixonada pela vida, pela arte, pela moda alternativa e pela estrada...

"VIVA RÁPIDO. MORRA JOVEM. SEJA SELVAGEM. E SE DIVIRTA!

Eu acredito no país que a América costumava ser. Acredito na pessoa que quero me tornar, acredito na liberdade da Estrada aberta. E meu lema é o mesmo de sempre. "Acredito na gentileza de estranhos. E quando estou em guerra comigo mesma – dirijo. Apenas dirijo."

Quem é você? Você está em contato com todas as suas fantasias mais sombrias? Você criou uma vida para si mesma onde é livre para experimentá-la?

Eu criei. Sou maluca pra caramba. Mas sou livre"

Email: Akasha_lincourt@hotmail.com

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