22 de janeiro de 2016


Olá pessoal!
Mais um final de semana chegando, e finalmente tirei um tempinho para escrever sobre alguns filmes que eu queria ter colocdo aqui já faz um tempinho. Existe aqueles filmes que são simplesmente um tapa na cara da sociedade, que nos faz refletir sobre o que estamos fazendo com nossas vidas, como estamos aproveitando nosso tempo e se estamos sabendo viver.
Eu recomendo mesmo que assistam cada um desses filmes, e pensem um pouquinho em como ele se encaixa na vida de vocês, e espero relmente que isso dê novas perspectivas e mude o horizonte de todos, nem que só um pouquinho. Então aproveite que o ano ainda está no começo e que ainda dá pra mudar tudo e repense.
Sem mais delongas, por que tempo é precioso, vamos a lista de filmes:


1. MINHA VIDA SEM MIM

A primeira vez que ouvi falar desse filme, foi nos grupos de filmes independentes do orkut, e até hoje me pergunto por que diabos fui assistir apenas recentemente. Esse filme remete a poesia.. os textos,  fotografia, o encaminhar das coisas... Uma mulher a beira da morte, tentando aproveitar o pouco tempo que lhe resta e ainda deixar encaminhada a vida daqueles que ela ama, antes de qualquer sinopse, acho que esse trecho merece ser visto e compartilhado:



A morte é sem duvida um dos maiores medos humanos, ela traz a tona a percepção da temporalidade, da transitoriedade e da finitude da vida. Pensar na morte leva necessariamente a se perguntar de que vale realmente estar vivo. Mas é exatamente por estar intrinsecamente ligada ao problema da vida, que o problema da  morte é tão complexo e paradoxal. Ambos os termos são correlativos e inseparáveis, são opostos complementares, não se pode pensar uma coisa sem pensar a outra, mesmo que indiretamente.  A forma como  interpretamos a morte influencia a forma como interpretamos a vida e vice e versa. E por isso, me parece que esse duplo problema da vida e da morte é no fundo a origem e a finalidade de todo o conhecimento, de toda a filosofia, de toda a ciência, de toda a espiritualidade e de toda a arte. Pois parece que de uma forma ou de outra, tudo que o homem cria esta impregnado de vontade de tentar resolver esse problema, de tentar provar para nós mesmo que a vida pode vir a ter algum valor positivo mesmo frente a inviabilidade da morte.    
    O filme de  Isabel Coixet, intitulado “Minha Vida Sem Mim” é mais uma das inumeráveis obras de arte que abordam essa problemática como ponto central de sua trama. O titulo do filme, sagaz e sugestivo, até carregado de um certo tom de humor negro, é na verdade o resumo do argumento filosófico  desenvolvido através da narração da história de Ann. Uma jovem mãe de família, com uma vida cotidiana atarefada e cheia de responsabilidades ante o marido e as duas filhas pequenas, morando no quintal da casa da mãe e trabalhando como faxineira,  levando assim uma vida dura e simples, mas que ainda guardava uma última revelação trágica do destino. Ann com apenas 23 anos descobre de repente que tem um câncer que a matará em mais ou menos 3 meses. Toda a história se desdobra sobre os resultados dessa triste revelação na vida de Ann. Descobrir a própria morte, e é engraçado falar assim pois a morte é nossa única certeza absoluta, provoca modificações profundas na postura, nas escolhas e nos valores de Ann. Aparentemente nada muda nas praticas cotidianas da garota, ela continua dedicada ao trabalho e a família, o que mudam são os valores que guiam essas praticas e sua postura ética frente a vida.


    De um filme como esse, que trata de um tema tão profundo, pode-se tirar muitas interpretações, muitas discussões. Pretendo analisar alguns das atitudes tomadas por Ann frente a morte, e assim tentar esclarecer a opinião expressada pela diretora do filme, pensando a morte (e portanto na vida) de uma forma serena e realista, mas sem negar-lhe a beleza trágica e melancólica. Primeiramente, Ann decide não contar seu drama para ninguém. Essa atitude que superficialmente pode ser vista pelo prisma de um certo egoísmo ou mesmo conformismo, ganha na minha opinião um  tom diferente, quase épico.  Me parece que a morte nos garante uma referencia solida para valorarmos a vida, exatamente porque sabemos que ela sempre chega uma hora e que é inevitável. Dessa forma, podemos chegar a algumas conclusões lógicas. Se a vida é finita devemos dar a ela prioridades, valores distintos a nossos desejos e escolhas, e se o tempo urge, isso nos obriga a cada vez mais tentar resumir a vida as coisas mais necessárias e essenciais, a se desfazer de toda futilidade, a dispensar tudo que pode ser dispensado, a simplificar tudo que pode ser simplificado, a buscar a vida menor de que fala a poesia de Drummond. Em uma cena do filme, a personagem faz compras em um shopping enquanto pensa consigo mesma: “ tudo aqui serve para nos afastar da morte, aqui ninguém esta pensado na morte”. Ao enfrentar sua preparação para a morte ( o que teoricamente todos nós deveríamos fazer a cada dia), Ann percebe como as pessoas gostam de se iludir para fingir que a morte não existe, ou que esta muito distante, é uma forma corriqueira de fugirmos ao desespero e ao pavor. O silêncio de Ann parece refletir uma postura estóica e altiva, pois a morte nos leva a nos depararmos mesmo com a solidão, que não pode ser negada se não aceita, ela parece querer evitar toda e qualquer tipo de perda de tempo, como lamentações, preocupações e sofrimento antecipados e desnecessários, pois em nada podem mudar a realidade da morte. Há nisso também uma forte  dose de generosidade, pois a partir  do momento que nos convencemos de que a morte vem para todos, não há porque afligirmos os outros com nossa morte, pois eles terão a deles. Essa generosidade se mistura a uma certa doçura de espírito da personagem, ela controla o próprio medo e desespero da morte  para poupar os outros de sofrimentos inúteis, assim ela aceita corajosamente o caminho solitário e doloroso de sua própria liberdade.
     Alavancada de sua vida cotidiana onde tudo parecia muito solido e certo, Ann passa a ver as coisas de uma perspectiva mais ampla, isso leva-a a mudar seus valores. Sua primeira atitude é escrever em um caderno as coisas que ela quer fazer antes de morrer. Analisarei três dessas coisas que me parecem ter uma grande importância simbólica no filme. A primeira é gravar fitas de aniversário para suas  filhas até os dezoito anos e para outras pessoas próximas (seu marido, sua mãe, seu amante). Por traz dessa delicada, atenciosa e  singela atitude existe uma ética de afirmação da vida. E é ai que aparece claramente a sugestão vinda do titulo. Ann descobriu e aceitou que a vida continuara sem ela, que tudo continuara funcionando como sempre funcionou mesmo sem ela estar por aqui. As fitas simbolizam uma afirmação da vida, pois Ann demostra com elas que se importa com a vida mesmo depois que morrer, que se importa mesmo sabendo que sem ela tudo continuará, e por isso quer deixar algo para as pessoas que  ama, e que sabe que terão de continuar a viver sem ela.  

    Outro ponto em sua lista de coisas a fazer antes de morrer, era reencontrar seu pai que a anos ela não via porque estava preso em uma penitenciaria.  Falo sobre esse ponto porque imagino que normalmente se pensa que ao nos depararmos com a morte certa, passamos a  nos importar só com o presente, com o instante agora, não acredito que seja bem assim. Na verdade parece que a morte pode provar o quanto a vida é inútil, porém do ponto de vista contrario ela também pode provar que a vida é sagrada e única e por isso dentro dela tudo é valido, tudo deve ser aproveitado, pois bem ou mal tudo acabará por fim. Ann seguindo a segunda interpretação, busca o reencontro com o pai como uma forma de redimir o passado aceitando até mesmo a ausência do pai, mais uma forma de se valorizar a vida, de aceitar mesmo as coisas ruins que a vida lhe proporciona, como um pai bandido  e indiferente. Afinal de contas a vida continuara sem ela, e não há motivo para permitir magoas ou ressentimentos tolos de coisas passadas.
    Por ultimo destaco da lista de Ann o desejo que ela tinha de se apaixonar novamente, e isso não tem nada haver com traição, pois ela demostrava amar muito o marido, mas isso é diferente de paixão. A paixão é como o calor inicial que acende o amor, é um impulso primário poderoso e desconcertante, intenso e inexplicável racionalmente. É o que nos lança ao desconhecido (Outro), ao estranho, a descoberta de si mesmo no outro, a revelação da identidade dentro da diferença. Mesmo amando o marido Ann quer sentir uma ultima vez o impacto da paixão, pois somente esse sentimento parece, mesmo que por um breve instante, destruir o abismo que separa os sujeitos dando a sensação de que podemos ser um só ser, de que realmente podemos compartilhar com o próximo algo de verdadeiro e real, mesmo que intangível e indizível.


    O filme apesar do clima dramático é levemente romanceado por uma serie de coincidências que ajudam Ann a cumprir com seu desejos antes de morrer. Isso juntamente com a personalidade doce, quase infantil de Ann, e sua resignada melancolia, pintam o tema pesado e desconfortante do filme com uma leve tom  poético, triste porém esperançoso. O que até me faz lembrar de uma máxima nietzscheana que diz que devemos afirmar a vida mesmo em seus aspectos mais tenebrosos. Haverá aspecto mais tenebroso na vida que seu fim? “ Minha Vida Sem Mim”, é um exemplo de que para aceitarmos a vida temos de aceitar a morte. Como diz Epicuro: “ Não existe nada de terrível na vida para quem esta perfeitamente convencido de que não há nada de terrível em deixar de viver”.  O filme consegue ser emocionante, sem ser piegas, sensível, sem ser bobo, profundamente filosófico sem ser excessivamente serio, além de ter uma linda trilha sonora.  E principalmente, por ele  levar inevitavelmente as  lágrimas, mas  não pela vida que a jovem Ann vai perder, mas pela vida que ela soube encontrar.


2. AFTER LIFE

Esse é um dos filmes que precisei assistir duas vezes para poder entender se eu estava certa, ou eu estava louca em minhas conclusões. Você dá valor a sua vida? Você realmente tem um bom motivo para se agarrar a ela ou seria melhor desistir? Você está vivo ou está morto?
Houve um tempo que Christina Ricci tinha sido considerada a musa dos filmes góticos, e realmente esse filme tem um ar gótico, e o cenário, em maior parte, acontece numa sala de necrópcia. Sem duvida é um filme que vale a pena assistir.

Depois da Vida é um filme inteligente e original. O mais intrigante do ano de 2010. O expectador sai da sessão sem saber o final. E vai discutir em rodas de amigos e cada um argumentará e defenderá seu ponto de vista e não se chegará a conclusão alguma. A dúvida persistirá. Vai se pensar neste filme por um longo período. Talvez chegue a um denominador comum guiado pelas pistas e sinais deixados no decorrer da história. Talvez predomine o bom senso. Mas será o final que de fato o diretor formulou para prevalecer? É uma obra aberta, não escancarada e depois de pronta não tem mais dono, pertencendo a quem se apossar dela, então posso resumir a história que em nada influenciará a quem ainda não assistiu, ou a parte que me pertence.

É a história da jovem Anna (Christina Ricci) que depois de sofrer um acidente de carro é levada para uma funerária local a fim de que seu corpo seja preparado para o velório. A partir daí coisas estranhas começam a acontecer. Ela parece estar viva. Morreu ou não morreu? Eis a questão. O agente funerário Eliot Deacon (Liam Neeson) pode ser um maníaco e a jovem estaria correndo risco de vida (?) e prestes a ser enterrada viva. É tudo verdade ou imaginação?



Confusa, e sentindo-se mais viva do que nunca, começa o drama e a agonia de Anna que enfrenta o diretor da funerária. Anna é (era) professora de ensino fundamental, e nesse dia, coisas estranhas acontecem com ela. O namorado, logo cedo na cama, percebe que ela não estava bem. Ambos vão para o trabalho e combinam de sair para jantar nessa noite. Nesse mesmo dia, após o trabalho, Anna vai à funerária para o velório de um amigo. Lá ela percebe que o defunto se mexe. Seria imaginação dela? Depois Anna resolve passar num salão de cabeleireiro para mudar radicalmente o visual, substituindo o tom escuro dos cabelos para um vermelho vivo. No meio do jantar, o seu noivo decide fazer duas surpresas: entregando-lhe um anel como pedido de casamento e informando que fora promovido e que seria transferido para outra cidade e ela deveria acompanhá-lo nessa mudança. No meio da conversa nesse jantar, Anna entende tudo errado, o casal discute no restaurante, e ela nervosa, sai desesperada, dirige em alta velocidade e acaba sofrendo um acidente. Somente a família é avisada e Paul, o noivo, por enquanto nada sabe.

Paul estranha que nessa noite sua noiva não voltou para casa, nem fazia idéia que nesse momento ela já se encontrava numa funerária. A mãe de Anna vai à funerária e decide enterrar sua filha dois dias depois do ocorrido. Lá começa algo sobrenatural entre a morta (?) e o diretor da mesma. Eliot prepara a moça para o funeral e a partir daí é com o expectador, e começa a viagem entre o estar ou não vivo/morto. Anna não acredita estar morta, apesar de o diretor da casa funerária lhe garantir que ela se encontra numa fase de transição para o “pós-vida”. Anna pergunta como ela pode estar morta se está conversando com ele. E ele lhe responde que tem a capacidade de conversar com os mortos. Afinal, quem está enganando quem? Anna tem certeza que não morreu. O agente funerário lhe aplica uma injeção e inventa uma história dizendo que é para o cadáver estar apresentável no velório. O expectador poderá transitar nessa história entre a verdade e a mentira; morte e vida, natural e sobrenatural algumas vezes. Há situações dando a atender que ela está viva: em um momento, Anna fica sozinha e Eliot esquece a chave da sala lá, e ela tenta sair, mas a chave quebra, e ele, o diretor da funerária, quando descobre que a esqueceu, volta desesperado para lá e sente-se aliviado por saber que ela não conseguiu sair. É uma aventura e tanto desvendar esse mistério, não acha?



A diretora magistralmente desconstrói o gênero terror, e sob uma nova ótica, num exercício elegante e excitante brinca, criativamente, com a metalinguagem. Brinca também com o expectador e inova com as convenções cinematográficas. Reorganiza os signos lingüísticos e seus significantes e significados de Morte, Pós-Morte e Vida. Caríssimo, conhece aquela outra frase “Tem muita gente que já morreu andando por aí e não sabe.”? Pois então, o expectador sai meio angustiado da sessão, também pelas dúvidas que inconscientemente são plantadas na mente. Além de tentar descobrir o que aconteceu com a personagem terá que descobrir o que acontece consigo mesmo. Talvez você se pergunte será que estou vivo? É bom estar vivo? Eu quero estar vivo? Ainda bem que estou vivo? Eu morri? Eu morri e não sei? Isso tudo não passa de brincadeira de mau gosto? Só se pensa na própria morte quando alguém próximo morre. Vai querer resolver isso num divã. Diria que é novo formato de narrar o sobrenatural, em poético-dramática sacudindo o “da poltrona” a fim de despertá-lo para a vida e para todas as reflexões possíveis, sobre a grande arte de se viver.


Há várias pistas para o expectador tentar desvendar o mistério que paira sobre After Life, entre estar vivo ou não, a protagonista morreu ou não? Decifre, se for capaz! Quando Anna está finalmente preparada para que velem o seu corpo, Eliot, pergunta-lhe se ela deseja sair para a vida ou continuar lá. Agora é com você, leitor, se quiser descobrir o final da história, não deixe de assistir.

Fonte: http://cinemaeaminhapraia.com.br/2011/01/22/depois-da-vida-after-life-2009/



3 - SENHOR NINGUEM

Devo connfessar que em setembro eu estava com um dedo bom para filmes, e com certeza voto no filme Mr. Nobody como melhor filme assistido neste periodo. Para acompanhar a trma, exige atenção, mas sem duvidas é um dos filmes mais inteligente que já vi, totalment atemporal, com um romance fixo digno de suspiros.

É no mínimo um absurdo classificar Sr. Ninguém (2009) , filme escrito e dirigido por Jaco Van Dormael, como uma ficção científica sobre viagens no tempo, geralmente aqueles que o fazem são os mesmos que acusam o longa de ser confuso e sem sentido. Um outro equívoco recorrente é a classificação da trama como sendo complexa, o que definitivamente ela não é. Caso a proposta do filme seja compreendida ainda no início de seu desenvolvimento, tudo nele se torna mais claro, o que faz com que ele chegue a parecer até simplório em algumas partes. Como nós espectadores temos o mau costume de criticar aquilo que não entendemos, corremos o risco de apontar nele defeitos que ele não tem e com isso acabar negligenciando outros problemas menores, estes reais e perceptíveis em seu desenvolvimento.



Sr. Ninguém é sobre as escolhas que fazemos durante nossa vida e como elas determinam quem na verdade somos, na história contada pelo filme, Nemo (Jared Leto), o personagem central, se encontra em algum lugar no futuro, um tempo em que as pessoas se tornaram imortais e ele é o último ser humano mortal ainda vivo. Através de uma espécie de reality show, as pessoas desta época tentam descobrir quem ele foi quando jovem e o que ele tem para contar sobre uma época em que a vida era tão diferente. Ele, no entanto, não enxerga na própria vida o sentido que os outros buscam nela, ele, apesar de guardar memórias do passado, não sabe dizer quem na verdade é, ele esteve constantemente preso á ideia de a vida era determinada pelas suas próprias ações, o que é uma ideia controversa, uma vez que cada indivíduo está inserido em uma rede complexa e não simples de causas e consequências.

Quando criança, Nemo dizia ter o dom de enxergar o futuro e de esquecer o passado, tal declaração, que ele faz ainda no início do filme, coloca pulgas atrás das orelhas de muita gente, todavia, nela não há nada de sobrenatural, na verdade ela seria, ao meu ver, apenas um fruto de uma fantasia do menino, no entanto, ela é capaz de explicar o modo de vida que ele adotaria da infância ao ocaso de sua existência. Nemo condicionou suas escolhas à crença de que elas eram capazes de impedir coisas que ele imaginava que poderiam vir a acontecer. Por conta disso, só lhe sobrava um único caminho a seguir e isso sequer podia ser chamado de escolha, pois na maior parte das situações ele sequer fazia uma opção, por acreditar que "enquanto não se escolhe tudo permanece possível". Já na velhice, ele não consegue descobrir quem na verdade é, simplesmente porque durante toda a sua vida ele não foi corajoso o suficiente para tomar decisões que o ajudassem a descobrir sua verdadeira identidade.



Toda a narrativa do filme se baseia naquilo que o personagem poderia ter vivenciado caso tivesse feito pequenas e grandes escolhas, por isso vemos situações que parecem se repetir durante o desenvolvimento do longa, porém de uma forma diferente. Aquilo que muita gente confundiu com idas e vindas no tempo são na verdade abstrações da mente do personagem, que tenta imaginar as consequências das escolhas que poderia ter feito e como cada uma delas poderia ter lhe marcado e ajudado a compor aquilo que o diferenciaria como indivíduo. Em cada uma das reconstruções de sua própria vida, Nemo escolhe ficar com um dos pais e não com o outro, casa com uma mulher diferente, tem um emprego diferente e morre de uma forma diferente, porém, em nenhuma delas ele consegue chegar aos 117 anos, idade na qual se encontra  ao ensaiar suas reminiscências, mas em todas elas ele é feliz, simplesmente por ter vivido de verdade.
É possível perceber durante todo o filme um toque onírico, que torna cada passagem parecida com algo que poderia ter saído de um sonho, pode-se reparar também que há no longa uma predominância de padrões estéticos que não condizem com a percepção da realidade, tudo é colorido demais, cada coisa está em seu devido lugar e isso reforça a ideia de que o que vemos não são lembranças, não é real, mas tão somente uma construção um tanto romantizada da mente do personagem central. A fotografia confere ao filme um visual belíssimo,  que faz jus à intensidade de cada uma de suas temáticas e dos sentimentos experimentados pelo protagonista. A trilha sonora, que conta com nomes como Pixies, Buddy Holly, Ella Fitzgerald, e Eurythmics, é simplesmente maravilhosa, cada uma das canções utilizadas se encaixa perfeitamente com a passagem em que toca, gerando assim alguns momentos sublimes.

Jared Leto e suas varias facetas durante o filme

Todo o elenco do filme está muito bem, principalmente o Jared Leto, que chama a atenção não só pelas diversas caracterizações de seu personagem, mas também pelas sutis variações na construção do mesmo, que podem ser percebidas em cada uma das memórias/imaginações que compõem a trama. O filme peca pela sua longa duração, que acho desnecessária, uma vez que o essencial da trama caberia em um tempo bem menor, e também pelas variações de ritmo, que ele sofre em algumas passagens, o que chega a prejudicar o impacto provocado por ele, principalmente em seu desfecho. Mas nada disso tira do filme o brilhantismo que ele tem, ele não é uma obra perfeita, mas é sem dúvidas um filme que merece ser visto e acima de tudo refletido.



Sr. Ninguém é no fim das contas uma exaltação humanista à vida e à cada uma das experiências que ela nos oferece, sejam elas boas ou ruins. Ele me fez lembrar de que é melhor assumir as consequências de uma escolha do que permanecer passivo diante dela, afinal, tudo pode até permanecer possível enquanto uma escolha não é feita, mas isso não é uma garantia de que ao menos uma das possibilidades venham a se concretizar de fato e de nada vale uma longa vida não vivida... Assista ao filme! Nunca se esqueça de viver!
Fonte: http://sublimeirrealidade.blogspot.com.br/2013/03/sr-ninguem.html


 4 - SETE VIDAS

Do diretor de À Procura da Felicidade  e estrelado pelo indicado a dois Oscars®, Will Smith, o filme conta uma história perturbadora e de grande suspense emocional sobre um homem com um segredo que o persegue e que decide se redimir mudando drasticamente as vidas de sete completos desconhecidos. Depois que seu plano é posto em andamento, nada pode alterá-lo. Ou era o que ele pensava.

Ben (Will Smith) é um fiscal do imposto de renda que, após a morte de sua esposa em acidente de carro, elabora uma lista de nomes de desconhecidos que ele julga serem merecedores de um presente. Então, através dos arquivos da Receita Federal, ele entra em contato pessoalmente e realiza uma sondagem, mantendo um relacionamento amigável com as pessoas e analisando suas atitudes e caráter.

O filme aborda dois temas atuais: a doação de órgãos e imprudência no trânsito. Do diretor Gabriele Muccino, este filme segue uma cronologia irregular, possuindo um enredo emocionante, que prende atenção do telespectador. O filme começa com a frase: “Em sete dias Deus criou o mundo... e em sete segundos eu destruí o meu”. A doação de órgão é vista pelo personagem como um presente para o outro e um meio de perdoar-se.

Em Sete Vidas (Seven Pounds), Will Smith vive um homem à procura de sete almas perdidas e fazendo as pazes consigo mesmo. Motivado por um acidente trágico, Ben Thomas está numa missão de melhorar drasticamente as vidas de um grupo de completos desconhecidos. Mas embora Ben queira ajudar o mundo, ele também é um homem fechado, solitário, incapaz de se relacionar com essa mesma humanidade que ele procura ajudar - até que ele conhece Emily, que traz de volta a emoção e a alegria à sua vida, complicando tudo.



Pois o que Ben Thomas nunca esperava era se apaixonar por uma dessas desconhecidas - e que ela começasse a transformá-lo.

Como uma sombra, Ben a segue enquanto a investiga. Quando ela percebe que tudo o que ele quer é realmente ajudá-la, Emily se abre. Em troca, esperava o mesmo do seu novo "amigo". Mas ele, por sua vez, prefere manter-se afastado, ajudando sem ser ajudado.

As barreiras entre eles começam a cair ao mesmo tempo em que vão sendo reveladas as reais intenções e motivações por trás de Ben - e o seu passado. O filme é todo montado com vai-vem temporais, que vão mostrando pequenas peças do quebra-cabeça que é a vida do nosso protagonista. Desse suspense inicial vamos ao romance e, enfim, ao drama que motivou tudo.

Will tem consagrado sua carreira ao protagonizar filmes com forte apelo moral. Em Sete vidas não foi diferente. O enredo mostra como pequenas ações podem mudar a trajetória de uma vida, não apenas a nossa, mas de muitas outras pessoas.

"O interessante é que Ben começa a história como alguém que obviamente está tentando fazer ações amorosas, mas que não consegue se entregar à dor de realmente amar alguém", explica o astro Will Smith, "e aí, de repente, Emily o envolve. Ela o envolve daquele jeito que todos nós acabamos envolvidos - um dia você olha nos olhos de alguém e ela está diferente do dia anterior. A iluminação adquire um brilho e uma luz especiais, e você sente que a sua vida mudou."



A vida de Ben muda inesperadamente - e essas mudanças internas e profundas estão no cerne do desempenho de Smith. "A parte delicada da história era mostrar exatamente como Ben está se sentindo quando põe seu plano em ação, mas é somente depois de conhecer Emily que ele começa a se tornar naturalmente mais abnegado. Esse pequeno desvio na estrada para a redenção é o que torna a história tão forte", afirma ele.


Acima de tudo, Smith se sentiu inspirado pela grandeza da história. "A história de amor entre Ben e Emily é linda, mas é apenas uma das suas inúmeras camadas. Para mim e para o Gabriele, Sete Vidas (Seven Pounds) não é somente sobre um homem e uma mulher que se encontram em um momento em que ambos estão em crise, mas uma história de amor entre um homem e a humanidade."


O filme faz com que voltemos a refletir nossos atos cotidianos que podem trazer grandes conseqüências, como aconteceu com o personagem vivido por Will Smith.

Além de abrir uma porta para a generosidade humana, quando realizamos uma doação reestruturamos vidas que aguardavam por mais uma oportunidade. A doação de órgãos, assim como a de sangue, ainda não é bem difundida no nosso país, devido à falta de informação, estrutura hospitalar aumentar a quantidade de doações necessárias.



Sete vidas leva a refletir sobre o que temos feito para melhorar as condições de vida de quem amamos. E até mesmo de quem não tem nada haver com nossas vidas. Que a gratidão é um sentimento muito maior do que qualquer recompensa possa oferecer, e que pra isso não há necessidade de sentirmos o reconhecimento. Dar valor as coisas simples da vida e não deixar que problemas, por maiores que sejam, nos impeçam de continuar de cabeça erguida.

A trama foge do padrão Hollywoodiano, nem sempre seguindo uma cronologia, mas ao final tudo se encaixa como um quebra-cabeça. Com cenas emocionantes, dignas de arrancar lágrimas dos corações mais durões, Sete vidas merece uma atenção especial, pois trás a tona a natureza humana mais difícil de se lidar: doar sua própria vida em favor de outras pessoas.



Um mistério intrigante e uma história de amor surpreendente, Sete Vidas (Seven Pounds) levanta questões perturbadoras acerca da vida e da morte, arrependimento e perdão, estranhos e amizades, amor e redenção - e explora as relações que unem os destinos das pessoas de modos surpreendentes.

Fonte: http://muitoalem2013.blogspot.com.br/2014/04/filme-sete-vidas.html


Espero que tenham curtido as dicas
até o proximo post
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Um comentário:

  1. Dessa lista o único que assisti foi o After Life e achei sensacional. Com certeza vou assistir os outros. Obrigada pelas indicações!! ;)
    Beijão.

    www.creepybeauty.com.br

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::Akasha Lincourt::

Akasha Lincourt... Taurina, Bipolar, 27 anos, sem enquadramento social, mas com ótimas lentes 50mm distorcidas ao invés de olhos. Apaixonada pela vida, pela arte, pela moda alternativa e pela estrada...

"VIVA RÁPIDO. MORRA JOVEM. SEJA SELVAGEM. E SE DIVIRTA!

Eu acredito no país que a América costumava ser. Acredito na pessoa que quero me tornar, acredito na liberdade da Estrada aberta. E meu lema é o mesmo de sempre. "Acredito na gentileza de estranhos. E quando estou em guerra comigo mesma – dirijo. Apenas dirijo."

Quem é você? Você está em contato com todas as suas fantasias mais sombrias? Você criou uma vida para si mesma onde é livre para experimentá-la?

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