24 de maio de 2015


Aos 21 anos eu tinha tudo o que uma pessoa iniciando em sua fase adulta gostaria de ter: Um diploma, sua própria empresa, um apartamento alugado num bom lugar no centro, um namorado sempre presente e dinheiro para comprar as pequenas coisas que se quer. Ao ler isso você ficará chocado com a frase a seguir: com todas essas coisas, eu não era feliz.
Eu conheço muitas pessoas hoje em dia que estiveram nesta mesma situação... boa formação, bom emprego, boas relações, boa cultura... mas sem algo precioso que vale mais do qualquer dessas coisas: O tempo. Aos 21 anos eu era uma garota fadada ao trabalho e condenada as pequenas saidades de fim de semana como modo de escape. Não existia férias, não existia planos, existia apenas sonhar com o mundo lá fora que eu julgava ser impossivel para mim. Eu me sentia presa no meu próprio mundo, eu, com toda a aparencia de garota independente e confiante, não sabia viver por mim mesmo. Minha vida era destinada a manipulação do meu trabalho, e minha vida pessoal era baseada em viver apenas com meu namorado: faziamos compras juntos, saiamos juntos, liamos juntos, dormiamos e acordavamos juntos, dividiamos smepre o mesmo teto.
Tudo aquilo foi me sufocando, foi me aprisionando, me enlouquecendo. E o dia que meu namorado me traiu eu vi aquele unico mundo que eu conhecia desabar, e toda pressão, todo o medo do futuro me levaram a uma crise nervosa que resultou numa tentativa de suicidio e uma clinica psiquiatrica.
Eu me restabeleci aos poucos, é um caminho lento e longo até você entender quer viver sozinha é diferente de estar só...  e eu continuei guiando a minha vida, e realmente buscando ser independente de fato...
Eu continuei tentando manter o mesmo estilo de vida... trabalhava todo o tempo, saia sozinha, iniciava e terminava relacionamentos desgastantes... e continuava infeliz., foram mais 5 anos empurrando a minha vida na barriga, as vezes pensando em desistir, as vezes sem querer sair da cama, e os ultimos dois anos foi a epoca que mais fazia as coisas no automatico no meu trabalho, perdendo o gosto pelo que eu amava, desejando outra vida.
Ano passado eu acordei de um longo torpor que me levou anos, me consumindo e me definhando. Um dia eu acordei no meu apartamento, olhei para os lados e vi que eu já não me enquadrava ali: aquelas roupas bonitas empilhadas no sofá, como se me lembra-se dos fiascos das baladas que eu ia por obrigação, para me mostrar divertida, sociavel, aquela paisagem na janela que me lembrava de todas as coisas ruins que eu não gostaria mais de me lembrar, e me sufocavam todas as manhãs, as fotos de relacionamentos que eu teimava iniciar sabendo que não daria certo mas que mentia para mim mesmo que daria, pelo medo de estar sozinha.
Eu decidi então que era a hora de mudar a minha vida, aquela vida que me queixei por 5 longos anos, mas que tinha medo de mudar por pura e simples ACOMODAÇÃO.
Então decidi começar um processo simples, porém muito dificil, chamado downsizing



O QUE É O DOWNSIZING E COMO ELE PODE MUDAR A SUA VIDA

Trata-se de um termo em inglês que significa o "enxugamento" ou racionalização, é um termo usado no ramo corporativo, mas ele pode ser muito bem aplicado em nossas vidas, tendo o sentido de "racionalizar nossas prioridades, enxugar de nossas vidas tudo o que é desnecessário".
Continuando numa linha bem racional, decidi ano passado enxugar boa parte dos excessos da minha vida, meu primeiro passo foi abandonar o apartamento que eu morava. Um motivo era que todas aquelas paredes me lembravam muitos maus momentos em minha vida,  outro era que eu pagava um valor exarcebado em aluguel e contas.. dinheiro que você jamais vai  recuperar e poderia estar investindo tudo em si mesmo. Parei com o consumo excessivo, fiz brechó  de roupas e as que eu não usava mas teimava em guardar na gaveta e parei de comprar novas, eu tinha o suficiente para me vestir em qualquer ocasião. Mudei de casa para um bairro mais longe, mas com custos infinitamente mais baratos e já comecei a sentir o alivio na carteira, e eu já podia fazer planos e ter alguma perspectiva sem me sentir enforcada pelas contas no fim do mes que eu me desesperava para pagar.
Larguei relacionamentos viciosos que não iam pra frente, me prendiam e me consumidam, me tirando a confiança e me deixando exausta.
O segundo passo foi deixar as baladas, aquelas que gastamos horrores para voltar pra casa, colocar no travesseiro e nos sentirmos mais inulteis e sozinhos. As mesmas musicas, as mesmas pessoas, a vontade de outrem de parecer melhor, de te esnobar, de te colocar em problemas... eu não precisava disso, e certamente o dinheiro gasto faria diferença no final do mes.
O terceiro passo foi o mais dificil, e que me deixou dias e noites sem dormir pensando se seria uma escolha certa, uma escolha justa: Fechar a minha loja. Passei 10 anos trabalhando no mesmo lugar, 8 anos tendo a minha própria empresa, todo dia comendo nos mesmos lugares,  vendo as mesmas pessoas, criando as mesmas peças. Toda essa rotina me tirou o poder de criar, de me sentir a vontade, de me sentir empolgada.... eu não tinha tempo pra viajar, ver meus pais, ou conversar com os amigos, então decidi que era hora de um novo ciclo... respirei fundo, agi em silencio, fechei a minha loja e na semana seguinte eu comprei as passagens do meu primeiro mochilão pela argentina, bolivia e chile.
Eu me sentia livre e confiante, eu havia finalmente iniciado meu processo de downsazing, havia enxugado as coisas superflua, estava morando numa casa modesta, com espaço apenas para as coisas necessárias, sem precisar mostrar nada para ninguem.


A compra da minha passagem pro mochilão também foi uma das partes mais ansiosas desta minha fase: eu estava sozinha novamente no mundo começando do zero, agora sem emprego, e apenas com o dinheiro das passagens, não sabia se eu teria dinheiro para viajar, não sabia como eu iria trabalhar, não sabia como seria a minha vida dali pra sempre, e o medo de ir sozinha conhecer o mundo. Mas eu decidi arriscar, decidi pesquisar, decidi entrar em sites, conhecer grupos, decidi fazer acontecer.
Eu não tinha dinheiro, mas eu tinha uma coisa importante: FOCO. Dali por diante eu comecei a abdicar do meu tempo para correr atrás dos meus sonhos, eu começei a trabalhar, a explorar, a  batalhar, e eu cheguei lá.
Nós costumamos a temer a vida, nós colocamos dinheiro e trabalho como desculpa para explicar o que separa nós de nossos sonhos, eu precisava arriscar para saber o que é verdade, e arriscando eu descobri que não precisa ser rico, não precisa ter mares de dinheiro, se você é triste dinheiro nenhum vai mudar isso, o que precisamos é a coragem da vida simples, a meta, o foco, a vontade....
Eu gostaria de mostrar para vocês que as vezes é importante dar uma enxugada na mente, nos bens materias, nas prioridades para alcançar o mundo. O tempo é o bem mais precioso que temos, dinheiro vai embora, mas podemos recupera-lo em algum momento, mas o tempo... esse apenas vai... e se não arriscarmos, vamos com ele apenas passando.
Não passe, exista!


No próximo post de viagens vou falar sobre o meu mochilão, da compra das passagens a chegada em san pedro do atacama, dividindo os lugares que passei por posts separados, para que vocês possam ver comigo, os lugares lindos que passei, e se inspirarem cada vez mais.


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Um comentário:

  1. Após ler seu texto parei e pensei, como tem tante gente vivendo superficialmente na minha vida, sendo que alguns destes acabam me afetando diretamente. É hora de aplicar a técnica de downsizing

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::Akasha Lincourt::

Akasha Lincourt... Taurina, Bipolar, 27 anos, sem enquadramento social, mas com ótimas lentes 50mm distorcidas ao invés de olhos. Apaixonada pela vida, pela arte, pela moda alternativa e pela estrada...

"VIVA RÁPIDO. MORRA JOVEM. SEJA SELVAGEM. E SE DIVIRTA!

Eu acredito no país que a América costumava ser. Acredito na pessoa que quero me tornar, acredito na liberdade da Estrada aberta. E meu lema é o mesmo de sempre. "Acredito na gentileza de estranhos. E quando estou em guerra comigo mesma – dirijo. Apenas dirijo."

Quem é você? Você está em contato com todas as suas fantasias mais sombrias? Você criou uma vida para si mesma onde é livre para experimentá-la?

Eu criei. Sou maluca pra caramba. Mas sou livre"

Email: Akasha_lincourt@hotmail.com

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