30 de julho de 2016

Esta semana li uma matéria no jornal Zero hora, contando que em 2017 será lançado nos cinemas o filme contando a história de Vinicius Gageiro Marques, o Yoñlu, que foi um caso que me chocou muito na época que aconteceu, e mexeu bastante comigo na época, então decidi publicar este texto em especial, um "In memorian" pois na última terça fez 10 anos de sua morte, e eu passei a semana toda ouvindo suas canções, este post não é uma ode ao seu suicídio, mas sim uma lembrança ao artista e sua obra

Lembro que eu fazia Ensino Médio quando me apresentaram ele. O Vinícius/Yoñlu artista, musicista gênio e amador, e não o garoto de 16 anos de comportamento depressivo e suicida, no qual fui pesquisar sua história de vida anos depois.
Vinícius Gageiro Marques, mais conhecido como o pseudônimo Yoñlu, era filho único de um professor universitário, Luiz Marques, com uma psicanalista e também professora universitária, Ana Maria Gageiro.  Alfabetizou-se em francês (sua mãe fazia doutorado em Paris), falava e escrevia em inglês fluentemente e sabia um pouco de galês. Segundo a orientadora da escola Colégio Rosário (onde o Vinícius estudou), Genoveva Guidolin, "Os fones de ouvido eram o caderno dele. Não levava nada, não ouvia o professor e depois passava por média em tudo". Pra ter ideia da sua prematuridade, ele lia Kafka aos 12 anos. Um escritor de escritos marcados pelo existencialismo, a angústia do homem moderno e imparcialidade, com certeza deixou rastros na sua personalidade. Por conta da sua fragilidade e sensibilidade, aos 8 anos começou a fazer terapia.

"Eu acredito que a cadência e a harmonia certas no momento certo podem despertar qualquer sentimento, inclusive o da felicidade nos momentos mais sombrios".
Yoñlu



Além de desenhar, Vinícius também fotografava. Adepto a Lomografia, movimento fotográfico que utiliza câmeras automáticas (Lomo, por exemplo) de baixo custo, cenários urbanos e cotidianos eram suas principais referências.
Sua aptidão não era só musical. Aos 13 anos, escreveu muitas críticas sobre a música pop. Bandas como Radiohead, Bob Dylan, The Clash, que ele julgava mais importante para a história do rock, foram compiladas em um CD e enviado para amigos mundo afora.

NÃO ENTRE. CONCENTRAÇÕES LETAIS DE MONÓXIDO DE CARBONO

Esta citação acima estava imprensa em um papel e pendurada na porta do Yoñlu minutos antes de morrer. Antes de forjar o seu suicídio, frequentava um site da mesma há 2 meses. Lá seguiu a risca um fórum que descrevia os procedimentos de tal ato. Ele também deixou uma carta onde explicava a razão por ter se suicidado e deixou algumas músicas suas salvas no computador, como está descrita na carta:
"Não pensem de forma alguma que eu quis lançar-lhes algum tipo de culpa por terem, de certa forma, assistido a minha morte. Não havia nada que pudesse ter sido feito para impedir isso".

Não houve churrasco, não havia colegas nem guria que eu goste. Peço desculpas pela maneira trapaceira com que arranjei meu suicídio. Peço desculpas também pela maneira assustadora com que a notícia chegará a vocês. Foi a maneira que encontrei de garantir um dia inteiro sozinho a fim de conduzir o procedimento da maneira mais segura.

Para garantir uma margem segura de tempo, inventei a história do churrasco, pedindo para que vocês saíssem de casa durante todo o dia. (...) Essa medida fez com que o churrasco de hoje parecesse um grande progresso no que tange a minha condição psíquica, quando na verdade era justamente o contrário.
O método que escolhi foi intoxicação por monóxido de carbono, é indolor e preserva o corpo intacto, mas demora, e se a pessoa é resgatada antes de morrer fica com graves lesões cerebrais e torna-se um vegetal.
O computador está cheio de material sobre mim para vocês lerem se quiserem. Todas as minhas conversas no MSN estão gravadas. Eu tinha um blog em http://yonnerz.blogspot.com Todas as minhas músicas estão salvas.... "



O SUICÍDIO 

As razões que levaram o Yoñlu a se matar são um pouco embaraçosas. Constantemente sentia vontade de cometer suicídio, entretanto compor músicas o confortava.
Em maio de 2006, dia em que foi acometido por essa vontade, no RllMukForum, ele agradeceu os elogios que foram atribuídos às suas composições. "Hoje eu voltei para casa pensando em suicídio, mas depois de ler todas estas palavras gentis resolvi adiar". Ao comentar a canção "I Know What It's Like", contou que "é [uma música] muito popular entre os colegas, incluindo minha ex-futura-namorada"; à música "Suicide Song", disse que foi "escrita e gravada rapidamente durante um momento depressivo" e destacou "como é bacana ouvir a voz de um suicida".

No final do mês de julho de 2009, sua mãe, Ana Maria Gageiro, encontrou a letra "Suicide Song" sobre a cama de Vinícius. Assustada com o que leu, o chamou para conversar, porém irritado, tratou de dizer ser apenas uma música. O analista Mário Corso alertou Luiz Marques acerca de comentários suicidas que o Vinícius fazia. Preocupado, ele vasculhou o seu computador no qual encontrou diálogos do grupo no qual fazia parte. Após esse fato, Vinícius simulou melhoras e forjou um suposto churrasco na cobertura do apartamento com os amigos. Alegou aos pais que estava bem, que estava interessado em uma garota e que não os queria perto.

Aproximadamente às 11h15 do dia 26 de julho de 2006, os pais do Yoñlu saíram do apartamento. Por volta das 12h, ligou aos pais avisando que os seus amigos já haviam chegado e que estava tudo bem.  À tarde, 14h, postou no grupo de discussão, em inglês:


"Estou fazendo esse método CO (suicídio por inalação de monóxido de carbono) neste momento e tenho duas grelhas queimando no banheiro. Aqui está a foto. Alguém pode me dizer se há carvão suficiente e quando eu posso entrar no banheiro e me deitar? Por favor, por favor, me ajudem! Eu não tenho muito tempo”.

Churrasqueiras utilizadas no suicídio de Vinícius

No Fórum, às 14h42, alguém diz: "Como você está se virando? Espero que você consiga o que quer. Talvez você volte daqui a pouco tossindo”. Minutos depois, Yoñlu escreve: "Ah, meu Deus. Eu não consigo suportar o calor, está tremendamente quente naquele banheiro. O que eu devo vestir para se tornar mais suportável? Eu tomei uma ducha antes, mas não adiantou nada. O que eu posso fazer? E o que eu devo fazer para desmaiar, por Deus?”. Um bombeiro aposentado de Chicago aconselhou o Vinícius a tirar as roupas, encharcar um pano e colocar sobre a testa para suportar o calor até desmaiar.

O último post foi às 15h02. Horas depois, alguém do fórum disse: “Acho que funcionou, já que ele não entrou mais em contato”.
 Uma amiga virtual do Vinícius de Toronto procurou a polícia de sua cidade para avisar que havia alguém no sul do Brasil tentando se suicidar. Deu seu endereço, obtido por outro amigo virtual. Enrico Canali, policial federal, acionou a Polícia Militar. Chegando no apartamento, os policiais narraram à zeladora o que havia acontecido. A mesma achou um absurdo. O avô do Vinícius morava em um apartamento próximo. Durante uma hora tentaram reanima-lo porém foi em vão. Yoñlu e Vinícius morreram na tarde de inverno na quarta feira, aproximadamente às 15h30 por asfixia de monóxido de carbono.


MÚSICA



"Deixei na mesa do computador um envelope vermelho da Faber Castell que contém um CD com algumas de minhas músicas".


Vinícius aprendeu a tocar bateria aos 4 anos. Depois piano e violão. Gostava de ouvir Beatles, Vítor Ramal, Radiohead, Billie Holiday, R.E.M., The Strokes, Tom Waits, Flaming Lips, Jeff Buckley, Air, Beastie Boys, Caetano Veloso, João Gilberto. Amador e multinstrumentista, gravava suas músicas em um pequeno estúdio caseiro juntamente com a guitarra e o teclado e uns efeitos que colocava em suas canções por meio de um aplicativo que tinha no computador. Compor era um dos seus hobbies preferidos. Temas como depressão, desilusão amorosa, suicídio eram comuns.


O A society in which no tear is shed is inconceivably mediocre contém 14 faixas, incluindo Luana (Mecânica Celeste Aplicada) que compôs para uma amiga no qual era apaixonado. Há também regravações de outras bandas como John Frusciante e Kings Of Convenience.


Yoñlu foi lançado pelo selo ALLEGRO DISCOS em fevereiro contém 23 musicas, todas compostas pelo Yoñlu.

fonte: http://domicilioliterario.blogspot.com.br/2013/06/yonlu_30.html

UM FILME SOBRE SUA TRAGÉDIA


Finalmente vai sair do papel o filme YONLU, que tem roteiro e direção de Hique Montanari. O longa conta a breve trajetória de vida do estudante e músico porto-alegrense VINÍCIUS GAGEIRO MARQUES, que foi acompanhado virtualmente por um grupo de internautas que assessoram interessados em escolher métodos de suicídio em tempo real – e nesta terça-feira completam-se 10 anos da morte do adolescente, que tinha então 16 anos.

Quem vai interpretar Yonlu – pseudônimo de Vinícius – é o ator gaúcho THALLES CABRAL, que fez sucesso como Jonathan, o filho de Félix (Matheus Solano) na novela Amor à vida. O guri acaba de gravar um seriado para a Warner chamado Manual para se defender de aliens, ninfas e zumbis, ainda inédito.

No elenco, além de Thalles, também estão os atores Nelson Diniz, Mirna Spritzer, Leonardo Machado e Liane Venturella. As filmagens vão rolar em agosto, no Tecnopuc em Viamão e em Porto Alegre.

O filme está sendo produzido por Luciana Tomasi, da Prana Filmes, com coprodução da Container Filmes. A trilha sonora deverá incluir canções do talentoso jovem – cujas gravações caseiras foram lançadas internacionalmente pelo músico norte-americano David Byrne por seu selo Luaka Bop.


Para encerrar, deixo aqui minhas músicas favoritas deste pequeno gênio que se apagou cedo demais:









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::Akasha Lincourt::

Akasha Lincourt... Taurina, Bipolar, 27 anos, sem enquadramento social, mas com ótimas lentes 50mm distorcidas ao invés de olhos. Apaixonada pela vida, pela arte, pela moda alternativa e pela estrada...

"VIVA RÁPIDO. MORRA JOVEM. SEJA SELVAGEM. E SE DIVIRTA!

Eu acredito no país que a América costumava ser. Acredito na pessoa que quero me tornar, acredito na liberdade da Estrada aberta. E meu lema é o mesmo de sempre. "Acredito na gentileza de estranhos. E quando estou em guerra comigo mesma – dirijo. Apenas dirijo."

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